segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Um pouco sobre mim...

Olá,meu nome é Tiago, tenho 14 anos e vou escrever um pouco sobre mim.
Não...
Oi, sou Tiago, um jovem de 14 anos e vou falar um pouco sobre mim...
Também não.

Definitivamente, não sei como começar esse texto(isso já é um começo) , mas enfim... Sou Tiago,tenho 14 anos e amo ler.
Cristão,leitor,escritor,estudante e um jovem que ainda não descobriu o mundo à sua volta. "Acho que não sei quem sou,só sei do que não gosto"
Gosto da chuva, mas apenas de sentir o barulho dela caindo no telhado. Dias chuvosos são ótimos para ficar em casa assistindo a 6 ou mais episódios de GLEE, ou lendo aquele livro que estou enrolando há muito tempo.
Se pudesse escolher meu nome, continuaria sendo Tiago, porque acho que meus pais gostam muito dele, então não teria coragem de muda-lo.
Já quis ser ator,cantos,compositor,publicitário,jornalista e diversas outras coisas. Não sou Martin Luther King, mas também já tive um sonho. Não que tenha deixado de ter. Mas já não os conheço tanto, ainda não sei o que quero ser quando crescer, gostaria muito de visitar a Inglaterra, agora já nem sei, talvez os Estados Unidos. Não consigo ficar parado por muito tempo assistindo a um filme desconhecido, tenho medo de perder tempo. Por isso prefiro assistir aos mesmos filmes várias vezes. Prefiro ler o livro(claro né) antes de assistir ao filme(claro novamente), mas isso quase nunca acontece.
Quando gosto de uma coisa, fico viciado até enjoar. Não consigo simplesmente começar a gostar de outras coisas e deixar essa coisas anterior em segundo plano. Vou me envolvendo na coisa que passei a gostar depois, e acabo esquecendo a anterior.
Não tenho medo de ser esquecido, ou de não deixar minha marca no mundo, mas acho que toda pessoa deveria ser aplaudida de pé pelo menos uma vez na vida,porque todos nós vencemos o mundo(Extraordinário-R.J.Palacio), costumo aplicar frases de livros/músicas a minha vida,às vezes parece que elas definem meus pensamentos, mas depois também enjoo delas, pois prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo.
Sei ser realista e enxergar os lados ruins das coisas, pois sempre haverá uma parte de mim suja e nojenta,mas eu gosto dela, junto com todas as outras. Agradeço a Deus todos os dias por estar vivo.
Acredito na força do amor e na diferença que ele faz na vida das pessoas.
Às vezes me sinto invisível, e outras, me sinto infinito.


segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Uma página de cada vez- Um diário diferente


Ainda falando de livros interativos:
1 página de cada vez- Um diário diferente, é mais um livro que entra para a coleção dos livros interativos, e mais uma vez, nos trazendo propostas diferentes e inusitadas. O livro de Adam J. Kurtz tem 365 páginas, uma para cada dia durante um ano. Como o  próprio nome diz, é um diário totalmente diferente, para construirmos durante um ano. Embora pareça simples e sem importância, as atividades envolvem situações cotidianas, o que nos faz olhar para as pequenas coisas que passam despercebidas no dia-a-dia.

Confira algumas imagens:

Confira algumas imagens:
                                                                        



O livro do bem!

Os livros interativos estão cada vez mais presentes nas nossas estantes, depois de "Destrua este diário" diversos outros títulos chegaram e ganharam destaque. Embora todos tenham o mesmo estilo, as propostas são quase totalmente diferentes. Em "O livro do bem- coisas para você fazer & deixar seu dia mais feliz" encontramos lições e atividades que nos ajudam a melhorar o humor e a tornar nosso dia mais feliz.  O livro se transforma em um espaço construído por você, com coisas que te agradam e fazem você se sentir bem. O mais legal é que o livro é nacional, escrito pelas meninas do Indiretas do Bem! :)

Confira o #BookTrailer





Bom dia! :D


terça-feira, 20 de janeiro de 2015

[Resenha] Se eu ficar – Gayle Forman






Título: Se eu ficar
Autor: Gayle Forman
Editora: Novo conceito
Páginas: 196 + trecho de Para onde ela foi, continuação de Se eu ficar, + Entrevista com os atores Chloë Grace Moretz(Mia) e Jamie Blackley(Adam). No total de 224 páginas.
ISBN: 9788581635415

Sinopse: Por que eu tenho o sentimento de que você está prestes a mudar a minha vida?
Em uma manhã de fevereiro, Mia sai para um passeio de carro. E, em um instante, tudo muda. Todas as escolhas se perderam, menos uma. A única que realmente importa.
Se eu ficar é um conto belíssimo sobre a força do amor, o verdadeiro significado da família e as decisões que todos nós precisamos tomar.
Às vezes você faz escolhas na vida, e às vezes as escolhas fazem você. Essa é a beleza das coisas.
Em Se eu ficar, Gayle Forman nos apresenta uma incrível mistura de amor, drama e a quantidade necessária de humor para fazer o leitor se envolver na história do início ao fim. O livro é instigante, surpreendente e ao mesmo tempo simples, cada página nos faz refletir sobre as coisas que achamos importantes em nossas vidas.
A obra é narrada por Mia, uma jovem apaixonada e talentosa que tem a mente cheia de sonhos e ambições. Mas, não tem nada que a diferencie tanto das outras garotas da sua idade.
Em uma gelada manhã de fevereiro, Mia, seus pais e seu irmão mais novo Teddy decidem fazer um passeio de carro para aproveitar o tempo juntos, já que por conta da neve, os pais de Mia não iriam trabalhar, assim como ela e seu irmão não poderiam ir para a escola.
O que eles não sabiam, é que tudo poderia mudar, e esse simples passeio lhes custaria muito caro...
Um terrível acidente ocorre e muda drasticamente a vida de Mia.
“A última coisa de que Mia se lembra é a música”
Depois do acidente, ela vê os médicos removendo os corpos de seus pais, seu irmão e até... o dela mesma. Mas incrivelmente, ela não sente nada.
Mesmo em estado de coma, Mia consegue ver tudo, as pessoas que vão fazer visitas no hospital, seus parentes e o amor da sua vida, Adam.
Em meio a esse turbilhão de coisas que ela não consegue entender, uma das poucas coisas que lhe confortam é a música, sua paixão desde a infância. A outra, seu namorado Adam, que é uma das pessoas mais importantes que ela tem. E seus avós, primos e tios, além de poucos amigos, que sofrem por ela.
No estado em que se encontra, ela passa a maior parte do tempo relembrando acontecimentos importantes em sua vida. Desde a primeira vez que tocou Violoncello até a audição para uma das maiores escolas de música do mundo.
As única certezas que Mia tem, são; a de que deve tomar uma decisão. E de que toda escolha traz consigo uma consequência.
Se ela ficar...
Além do incrível conteúdo, a edição brasileira de Se eu ficar, produzida pela editora Novo conceito, apresenta uma linda e bem elaborada capa, folhas de ótima qualidade, tamanho ideal e confortável para leitura e uma diagramação excelente.


quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

[Resenha] O roubo do punhal sagrado - Amâncio Leão

 Título: O roubo do punhal sagrado
Autor: Amâncio Leão
Editora: Escrita fina
Páginas: 95
ISBN: 9788563248053

Sinopse: No Rio de Janeiro,  um punhal muito antigo é roubado de um colecionador. Mas não se trata apenas do roubo de uma relíquia de valor histórico. Através do punhal, uma milenar e cruel divindade pode ressurgir e dominar o mundo.
Perseguidos por um grupo de fanáticos que deseja o místico objeto, quatro adolescentes tentam assim mesmo impedir a reencarnação da sinistra entidade. Mas o que pode um grupo de garotos contra o poder das trevas?
 
O roubo do punhal sagrado é um livro pequeno, simples e de fácil leitura. Um dos aspectos que mais me chamou atenção na obra foi as mudanças de ambiente/tempo que ocorrem de forma tranquila e natural. Fazendo com que os fatos anteriores possam ser lembrados com clareza e não seja necessária a repetição da leitura para acompanhar o enredo.
Amâncio Leão, claramente disposto a escrever para jovens, faz uso da linguagem clara e informal. Por isso, o livro pode ser lido rapidamente, sem causar cansaço ou tédio. O roubo do punhal sagrado tem um fluxo tranquilo, e ao mesmo tempo excitante. Mas infelizmente, me causou decepção.
 
Quando comecei a ler esperava algo mais inusitado, devido aos diversos livros/ filmes que existem e que tem sempre o mesmo fim. Mas, infelizmente, O roubo do punhal sagrado foi só mais um livro daqueles que você lê e depois esquece. É mais uma daquelas histórias sobre jovens que sempre acabam do mesmo jeito.
Além da decepção que tive ao terminar, tive a sensação de que os problemas enfrentados pelos jovens foram "pesados" para o tipo de livro. Isso, por três fatores:
a) O livro é curto, e os personagens principais passam todo o tempo tentando alcançar seus objetivos. Mas o verdadeiro mistério, ou as possíveis soluções, só aparecem nas últimas duas páginas. Isso passa a impressão de que o livro tinha um certo limite, e que o autor ficou com medo de excede-lo.
b) De acordo com a sinopse, O roubo do punhal sagrado é um livro para adolescentes/crianças, o que é comprovado com a forma de escrita usada por Amâncio Leão. Porém, o tipo de conflito que é encontrado na trama, é muito mais complexo e difícil de lidar do que uma simples aventura. O que cria um desfecho muito surreal, forçado.
c) No primeiro momento em que os personagens e os problemas são apresentados, já é possível supor o final da história. Então, as "grandes revelações" que o autor deixa para as últimas páginas tornam-se pequenos detalhes.
 
Apesar de não ter gostado muito, um dos fatores que amenizam o meu desagrado com o livro é a pequena quantidade de páginas e o pouco tempo que gastei para lê-lo.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Quintana


[Resenha] 365 dias extraordinários- R. J. Palacio

Título: 365 Dias Extraordinários
Autor(a): R. J. Palacio
Editora: Intrínseca
Páginas: +370
ISBN: 978-85-8057-610-8

Sinopse:
Inspirados pelo inesquecível best-seller Extraordinário, aqui estão 365 preceitos - princípios a serem seguidos - que vão iluminar, encorajar, confortar, e desafiar os leitores todos os dias do ano. Há uma mensagem para cada pessoa aqui, palavras de sabedoria retiradas de músicas, grandes obras da literatura, inscrições em tumbas egípcias, frases de biscoitos da sorte, de alguns personagens de Extraordinário e de mais de cem leitores que enviaram à escritora R. J. Palacio os próprios preceitos.
Com um design encantador, 365 dias extraordinários: o livro de preceitos do Sr. Browne é uma celebração de gentileza, da esperança, da bondade, da força de vontade e do poder do amor.



Depois da linda mensagem e dos valiosos ensinamentos apresentados em Extraordinário, Palacio nos dá a oportunidade de viver, através do livro de preceitos do Sr. Browne, um ano extraordinário. Com um preceito diferente a cada dia, o livro nos faz refletir e nos desafia a colocar em prática, a cada amanhecer, os ensinamentos contidos em pequenas frases. Algumas de grandes personalidades históricas, outras de (também grandes personalidades) fãs, e até mesmo dos próprios personagens de Extraordinário.


Enfim...365 dias extraordinários é um livro que não se tem muito o que falar, mas proporciona coisas incríveis a quem ousar vivê-lo e colocar seus preceitos em prática.




Se liguem ;)


Gente...


segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

[Resenha] Extraordinário - R.J. Palacio

"Se tiver que escolher entre estar certo e ser gentil, escolha ser gentil"

Essa e muitas outras lições são encontradas nas páginas de Extraordinário, um livro simples, breve, mas com um imenso valor moral para todos que o lerem. Além da cativante história de Auggie Pullman e das pessoas que estão/estiveram presentes em seu cotidiano, R. J. Palacio nos traz momentos únicos e inesquecíveis de reflexões sobre a vida, o amor ao próximo e sobre como seria estar no lugar do outro.
 
August Pullman é um garoto como qualquer outro. Mas a única coisa que o diferencia das outras crianças é um detalhe. E, infelizmente, alguns detalhes fazem toda a diferença.
O menino nasceu com uma severa deformidade facial, e por isso está condenado a viver pelo resto da vida com os olhares de espanto e medo das rostos que cruzam por breves instantes com o seu.
Como se já não bastasse o sofrimento e preconceito que o garoto sofre, os pais de Auggie decidem que ele já está preparado para frequentar a escola.
Deparando-se em um lugar totalmente desconhecido, com pessoas mais desconhecidas ainda, August passa novamente por dificuldades de relacionamento e não é aceito pela maioria dos  colegas de classe. E, depois de um tempo, começa a ser aceito por todos, ou quase todos. Embora nunca tenha visto ninguém com os mesmos problemas que o seu, Auggie começa a entender que, por mais que a vida apresente dificuldades diferentes, todas as pessoas se deparam com elas.
 
Nas páginas de Extraordinário nos são apresentados também os dramas, sofrimentos e dificuldades cotidianas de colegas de classe, amigos e conhecidos da família Pullman.
 
Um livro lindo, que nos ensina a importância do amor, amizade e principalmente da gentileza na vida de todas as pessoas

sábado, 3 de janeiro de 2015

365 dias extraordinários

 
Olá pessoal!
Hoje recebi o livro "365 dias extraordinários", uma linda obra que expande o incrível universo de "Extraordinário" e dos preceitos do Sr. Browne.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Tudo estava ao contrário naquela tarde de verão...Mas foi melhor assim.

 
Era tarde de verão quando ele sentou na cadeira de metal que ficava na frente da mesa e apanhou papel e caneta. Antes, é claro, não podia esquecer de ligar o rádio no volume máximo. Olhando para o vidro da janela percebia que as nuvens brancas em contraste com o céu claro pareciam uma pintura feita por uma criança.
Ainda olhando para o céu, começou a escrever:
"Uma pobre criança, que por ser criança tem o talento de transformar qualquer coisa que faz em algo lindo. E que por ser criança é pobre, pois não conhece nada desse mundo. Ou uma pobre criança que é rica por ser criança e não saber nada desse terrível mundo. "
Não. Não podia continuar a escrever, estava horrível. Um dia lindo como aquele, com o sol brilhando por trás das nuvens e a água azul parada no horizonte, não merecia ser inspiração para a criação de algo tão feio. Era quase uma falta de respeito.
Furioso, ele arrancou a folha do caderno e (amassando-a com a mão esquerda) começou a escrever novamente:
"O que diria o homem se pudesse compreender as ideias da sua própria mente, se sem compreender as ideias das mentes que o cercam são tomados por fúria e inveja? Se pensamentos alheios os fazem matar o que pensamentos sinceros os levariam a fazer? Estou sendo hipócrita, com o fato de que o que os homens pensam dos homens me incomoda tanto. Mas vou continuar, provavelmente algum homem que não conhece seus próprios pensamentos será tomado de fúria ou inveja, quando ler e conhecer as minhas ideias."
Não. Ainda está ruim. Com certeza se o horizonte e o Sol pensassem não estariam mais satisfeitos com esse texto do que com o anterior. Novamente, arrancou a folha e voltou a escrever.

"As tardes já são lindas, o Sol ainda não se pôs, Deus já nos deu tudo e vocês não conseguem sentir a felicidade pulsando em suas veias. De que mais precisamos, dinheiro? O pão está em cima da mesa, mas você não foi comer. Fama? Se a vida fosse uma peça de teatro todos à nossa volta seriam a plateia. Ninguém conseguiu me convencer. O que mais precisamos? Amigos? Todos temos contas no facebook, mas não temos com quem conversar, por que nossos milhares de "amigos" estão ocupados, cuidando de coisas que realmente são importantes para eles. Não consigo entender, o que está acontecendo? Crianças escrevem sobre crianças, e eu, que sou uma criança, escrevo sobre mim."
Dessa vez, desligou o rádio, jogou o caderno dentro da gaveta e levantou-se. Sem dúvida não poderia ser escritor. Não adiantava tentar. Com certeza, a matemática era melhor. Sem complicações, filosofia e pensamentos alheios.
Rapidamente arrastou a cadeira para trás, levantou e foi-se para a sala, onde seus pais jogavam videogame.
 
Tiago L. Flores

Laços de Família- Devaneio e embriaguez duma rapariga...


Pelo quarto parecia-lhe estarem a se cruzar os elétricos, a estremecerem-lhe a imagem refletida. Estava a se pentear vagarosamente diante da penteadeira de três espelhos, os braços brancos e fortes arrepiavam-se à frescurazita da tar­de. Os olhos não se abandonavam, os espelhos vibravam ora escuros, ora luminosos. Cá fora, duma janela mais alta, caiu à rua uma cousa pesada e fofa. Se os miúdos e o ma­rido estivessem à casa, já lhe viria à idéia que seria des­cuido deles. Os olhos não se despregavam da imagem, o pente trabalhava meditativo, o roupão aberto deixava apa­recerem nos espelhos os seios entrecortados de várias raparigas.
"A Noite!", gritou o jornaleiro ao vento brando da Rua do Riachuelo, e alguma cousa arrepiou-se pressagiada. Jogou o pente à penteadeira, cantou absorta: "quem viu o par­dal-zito... passou pela jane-la... voou pr'além do Mi-nho!" — mas, colérica, fechou-se dura como um leque.
Deitou-se, abanava-se impaciente com um jornal a farfalhar no quarto. Pegou o lenço, aspirava-o a comprimir o bordado áspero com os dedos avermelhados. Punha-se de novo a abanar-se, quase a sorrir. Ai, ai, suspirou a rir. Teve a visão de seu sorriso claro de rapariga ainda nova, e sorriu mais fechando os olhos, a abanar-se mais profundamente. Ai, ai, vinha da rua como uma borboleta.
"Bons dias, sabes quem veio a me procurar cá à casa?", pensou como assunto possível e interessante de palestra. "Pois não sei, quem?", perguntaram-lhe com um sorriso galanteador, uns olhos tristes numa dessas caras pálidas que a uma pessoa fazem tanto mal. "A Maria Quitéria, homem!", respondeu garrida, de mão à ilharga. "E se mo permite, quem é esta rapariga?", insistiram galante, mas já agora sem fisionomia. "Tu!", cortou ela com leve rancor a palestra, que chatura.
Ai que quarto suculento! ela se abanava no Brasil. O sol preso pelas persianas tremia na parede como uma gui­tarra. A Rua do Riachuelo sacudia-se ao peso arquejante dos elétricos que vinham da Rua Mem de Sá. Ela ouvia curiosa e entediada o estremecimento do guarda-loiça na sala das visitas. D'impaciência, virou-se-lhe o corpo de bru­ços, e enquanto estava a esticar com amor os dedos dos pés pequeninos, aguardava seu próximo pensamento com os olhos abertos. "Quem encontrou, buscou", disse-se em forma de rifão rimado, o que sempre terminava por parecer com alguma verdade. Até que adormeceu com a boca aberta, a baba a umedecer-lhe o travesseiro.
Só acordou com o marido a voltar do trabalho e a entrar pelo quarto adentro. Não quis jantar nem sair de seus cuidados, dormiu de novo: o homem lá que se regalasse com as sobras do almoço.
E, já que os filhos estavam na quinta das titias em Jacarepaguá, ela aproveitou para amanhecer esquisita: túrbida e leve na cama, um desses caprichos, sabe-se lá. O marido apareceu-lhe já trajado e ela nem sabia o que o homem fi­zera para o seu pequeno almoço, e nem olhou-lhe o fato, se estava ou não por escovar, pouco se lhe importava se hoje era dia dele tratar os negócios na cidade. Mas quando ele se inclinou para beijá-la, sua leveza crepitou como folha seca:
— Larga-te daí!
— E o que tens? pergunta-lhe o homem atônito, a ensaiar imediatamente carinho mais eficaz.
Obstinada, ela não saberia responder, estava tão rasa e princesa que não tinha sequer onde se lhe buscar uma res­posta. Zangou-se:
— Ai que não me maces! não me venhas a rondar como um galo velho!
Ele pareceu pensar melhor e declarou:
— Ó rapariga, estás doente.
Ela aceitou surpreendida, lisonjeada. Durante o dia inteiro ficou-se na cama, a ouvir a casa tão silenciosa sem o bulício dos miúdos, sem o homem que hoje comeria seus cozidos pela cidade. Durante o dia inteiro ficou-se à cama. Sua cólera era tênue, ardente. Só se levantava mesmo para ir à casa de banhos, donde voltava nobre, ofendida.
A manhã tornou-se uma longa tarde inflada que se tornou noite sem fundo amanhecendo inocente pela casa toda.
Ela ainda à cama, tranqüila, improvisada. Ela amava... Estava previamente a amar o homem que um dia ela ia amar. Quem sabe lá, isso às vezes acontecia, e sem culpas nem danos para nenhum dos dois. Na cama a pensar, a pensar, quase a rir como a uma bisbilhotice. A pensar, a pensar. O quê? ora, lá ela sabia. Assim deixou-se a ficar.
Dum momento para outro, com raiva, estava de pé. Mas nas fraquezas do primeiro instante parecia doida e deli­cada no quarto que rodava, que rodava até ela conseguir às apalpadelas deitar-se de novo à cama, surpreendida de que talvez fosse verdade: "ó mulher, vê lá se me vais mesmo adoecer!", disse desconfiada. Levou a mão à testa para ver se lhe tinham vindo febres.
Nessa noite, até dormir, fantasticou, fantasticou: por quantos minutos? até que tombou: adormecidona, a ressonar com o marido.
Acordou com o dia atrasado, as batatas por descascar, os miúdos que voltariam à tarde das titias, ai que até me faltei ao respeito!, dia de lavar roupa e cerzir as peúgas, ai que vagabunda que me saíste!, censurou-se curiosa e satis­feita, ir às compras, não esquecer o peixe, o dia atrasado, a manhã pressurosa de sol.
Mas no sábado à noite foram à tasca da Praça Tira-dentes a atenderem ao convite do negociante tão próspero, ela com vestidito novo que se não era cheio d'enfeites era de bom pano superior, desses que lhe iam a durar pela vida afora. No sábado à noite, embriagada na Praça Tiradentes, embriagada mas com o marido ao lado a garanti-la, e ela cerimoniosa diante do outro homem tão mais fino e rico, procurando dar-lhe palestras, pois que ela não era nenhu­ma parola d'aldeia e já vivera em Capital. Mas borrachona a mais não poder.
E se seu marido não estava borracho é que não queria faltar ao respeito ao negociante, e, cheio d'empenho e d'hu­mildade, deixava-lhe, ao outro, o cantar de galo. O que assentava bem para a ocasião fina, mas lhe punha, a ela, uma dessas vontades de rir! um desses desprezos! olhava o marido metido no fato novo e achava-lhe uma tal piada! Borrachona a mais não poder mas sem perder o brio de rapariga. E o vinho verde a esvaziar-se-lhe do copo.
E quando estava embriagada, como num ajantarado farto de domingo, tudo o que pela própria natureza é separado um do outro — cheiro d'azeite dum lado, homem doutro, terrina dum lado, criado de mesa doutro — unia-se esquisitamente pela própria natureza, e tudo não passava duma sem-vergonhice só, duma só marotagem.
E se lhe estavam brilhantes e duros os olhos, se seus gestos eram etapas difíceis até conseguir enfim atingir o paliteiro, em verdade por dentro estava-se até lá muito bem, era-se aquela nuvem plena a se transladar sem esforço. Os lábios engrossados e os dentes brancos, e o vinho a inchá-la. E aquela vaidade de estar embriagada a facilitar-lhe um tal desdenho por tudo, a torná-la madura e redonda como uma grande vaca.
Naturalmente que ela palestrava. Pois que lhe não fal­tavam os assuntos nem as capacidades. Mas as palavras que uma pessoa pronunciava quando estava embriagada era como se estivesse prenhe — palavras apenas na boca, que pouco tinham a ver com o centro secreto que era como uma gravidez. Ai que esquisita estava. No sábado à noite a alma diária perdida, e que bom perdê-la, e como lembrança dos outros dias apenas as mãos pequenas tão maltratadas — e ela agora com os cotovelos sobre a toalha de xadrez vermelho-e-branco da mesa como sobre uma mesa de jogo, profundamente lançada numa vida baixa e revolucionante. E esta gargalhada? essa gargalhada que lhe estava a sair mis­teriosamente duma garganta cheia e branca, em resposta à finura do negociante, gargalhada vinda da profundeza daquele sono, e da profundeza daquela segurança de quem tem um corpo. Sua carne alva estava doce como a de uma lagosta, as pernas duma lagosta viva a se mexer devagar no ar. E aquela vontade de se sentir mal para aprofundar a doçura em bem ruim. E aquela maldadezita de quem tem um corpo.Palestrava, e ouvia com curiosidade o que ela mesma estava a responder ao negociante abastado que, em tão boa hora, os convidara e pagava-lhes o pasto. Ouvia intrigada e deslumbrada o que ela mesma estava a responder: o que dissesse nesse estado valeria para o futuro em augúrio — já agora ela não era lagosta, era um duro signo: escorpião. Pois que nascera em novembro.
Um holofote enquanto se dorme que percorre a madru­gada — tal era a sua embriaguez errando lenta pelas alturas.
Ao mesmo tempo, que sensibilidade! mas que sensibi­lidade! quando olhava o quadro tão bem pintado do res­taurante ficava logo com sensibilidade artística. Ninguém lhe tiraria cá das idéias que nascera mesmo para outras cousas. Ela sempre fora pelas obras d'arte.
Mas que sensibilidade! agora não apenas por causa do quadro de uvas e peras e peixe morto brilhando nas es­camas. Sua sensibilidade incomodava sem ser dolorosa, como uma unha quebrada. E se quisesse podia permitir-se o luxo de se tornar ainda mais sensível, ainda podia ir mais adiante: porque era protegida por uma situação, pro­tegida como toda a gente que atingiu uma posição na vida. Como uma pessoa a quem lhe impedem de ter a sua des­graça. Ai que infeliz que sou, minha mãe. Se quisesse podia deitar ainda mais vinho no copo e, protegida pela posição que alcançara na vida, emborrachar-se ainda mais, con­tanto que não perdesse o brio. E assim, mais emborracha­da ainda, percorria os olhos pelo restaurante, e que despre­zo pelas pessoas secas do restaurante, nenhum homem que fosse homem a valer, que fosse triste mesmo. Que despre­zo pelas pessoas secas do restaurante, enquanto ela esta­va grossa e pesada, generosa a mais não poder. E tudo no restaurante tão distante um do outro como se jamais um pudesse falar com o outro. Cada um por si, e lá Deus por toda a gente.
Seus olhos de novo fitaram aquela rapariga que, já d'en­trada, lhe fizera subir a mostarda ao nariz. Logo d'entrada percebera-a sentada a uma mesa com seu homem, toda cheia dos chapéus e d'ornatos, loira como um escudo falso, toda santarrona e fina — que rico chapéu que tinha! — vai ver que nem casada era, e a ostentar aquele ar de santa. E com seu rico chapéu bem posto. Pois que bem lhe aproveitasse a beatice! e que se não lhe entornasse a fidalguia na sopa! As mais santazitas eram as que mais cheias estavam de patifa­ria. E o criado de mesa, o grande parvo, a servi-la cheio das atenções, o finório: e o homem amarelo que a acompanhava a fazer vistas grossas. E a santarrona toda vaidosa de seu chapéu, toda modesta de sua cinturita fina, vai ver que não era capaz de parir-lhe, ao seu homem, um filho. Ai que não tinha nada a ver com isso, a bem dizer: mas já d'entrada crescera-lhe a vontade d'ir e d'encher-lhe, à cara de santa loira da rapariga, uns bons sopapos, a fidalguita de chapéu. Que nem roliça era, era chata de peito. E vai ver que, com todos os seus chapéus, não passava duma vendeira d'horta­liça a se fazer passar por grande dama.
Oh, como estava humilhada por ter vindo à tasca sem chapéu, a cabeça agora parecia-lhe nua. E a outra com seus ares de senhora, a fingir de delicada. Bem sei o que te falta, fidalguita, e ao teu homem amarelo! E se pensas que t'invejo e ao teu peito chato, fica a saber que me ralo, que bem me ralo de teus chapéus. A patifas sem brio como tu, a se faze­rem de rogadas, eu lhas encho de sopapos.
Na sua sagrada cólera, estendeu com dificuldade a mão e tomou um palito.
Mas finalmente a dificuldade de chegar em casa desapareceu: remexia-se agora dentro da realidade familiar de seu quarto, agora sentada no bordo de sua cama com a chinela a se balançar no pé.
E, como entrefechara os olhos toldados, tudo ficou de carne, o pé da cama de carne, a janela de carne, na cadeira o fato de carne que o marido jogara, e tudo quase doía. E ela cada vez maior, vacilante, túmida, gigantesca. Se conse­guisse chegar mais perto de si mesma, ver-se-ia inda maior. Cada braço seu poderia ser percorrido por uma pessoa, na ignorância de que se tratava de um braço, e em cada olho podia-se-lhe mergulhar dentro e nadar sem saber que era um olho. E ao redor tudo a doer um pouco. As coisas feitas de carne com nevralgia. Fora o friozito que a tomara ao sair da casa de pasto.
Estava sentada à cama, conformada, cética.
E isso ainda não era nada, só Deus sabia: ela sabia muito bem que isso inda não era nada. Que nesse momento lhe estavam a acontecer cousas que só mais tarde iriam a doer mesmo e a valer: quando ela voltasse ao seu tamanho comum, o corpo anestesiado estaria a acordar latejando e ela iria a pagar pelas comilanças e vinhos.
Então, já que isso terminaria mesmo por acontecer, tanto se me faz abrir agora mesmo os olhos, o que fez, e tudo ficou menor e mais nítido, embora sem nenhuma dor. Tudo, no fundo, estava igual, só que menor e familiar. Esta­va sentada bem tesa na sua cama, o estômago tão cheio, absorta, resignada, com a delicadeza de quem espera sentado que outro acorde. "Empanturras-te e eu que pague o pato", disse-se melancólica, a olhar os deditos brancos do pé. Olha­va ao redor, paciente, obediente. Ai, palavras, palavras, obje­tos do quarto alinhados em ordem de palavras, a formarem aquelas frases turvas e maçantes que quem souber ler, lera.Aborrecimento, aborrecimento, ai que chatura. Que maça­da. Enfim, ai de mim, seja lá o que Deus bem quiser. Que é que se havia de fazer. Ai, é uma tal cousa que se me dá que nem bem sei dizer. Enfim, seja lá bem o que Deus quiser. E dizer que se divertira tanto esta noite! e dizer que fora tão bom, e a gosto seu o restaurante, ela sentada fina à mesa. Mesa! gritou-lhe o mundo. Mas ela nem sequer a responder-lhe, a alçar os ombros com um muxoxo amuado, importunada, que não me venhas a maçar com carinhos; desiludida, resignada, empanturrada, casada, contente, a vaga náusea.
Foi nesse instante que ficou surda: faltou-lhe um sen­tido. Enviou à orelha uma tapona de mão espalmada, o que só fez entornar mais o caldo: pois encheu-se-lhe o ouvi­do de um rumor de elevador, a vida de repente sonora e aumentada nos menores movimentos. Das duas, uma: estava surda ou a ouvir demais — reagiu a essa nova solicitação com uma sensação maliciosa e incômoda, com um suspiro de saciedade conformada. Pros raios que os partam, disse suave, aniquilada.
"E quando no restaurante...", lembrou-se de repente. Quando estivera no restaurante o protetor do marido en­costara ao seu pé um pé embaixo da mesa, e por cima da mesa a cara dele. Porque calhara ou de propósito? O mafar­rico. Uma pessoa, a falar verdade, que era lá bem interes­sante. Alçou os ombros.
E quando no seu decote redondo — em plena Praça Tiradentes!, pensou ela a abanar a cabeça incrédula — a mosca se lhe pousara na pele nua? Ai que malícia.
Havia certas cousas boas porque eram quase nausean­tes: o ruído como de elevador no sangue, enquanto o ho­mem roncava ao lado, os filhos gorditos empilhados no outro quarto a dormirem, os desgraçadinhos. Ai que cousa que se me dá! pensou desesperada. Teria comido demais? ai que cousa que se me dá, minha santa mãe!
Era a tristeza.
Os dedos do pé a brincarem com a chinela. O chão lá não muito limpo. Que relaxada e preguiçosa que me saíste. Amanhã não, porque não estaria lá muito bem das pernas. Mas depois de amanhã aquela sua casa havia de ver: dar-lhe-ia um esfregaço com água e sabão que se lhe arrancariam as sujidades todas! a casa havia de ver! ameaçou ela colérica. Ai que se sentia tão bem, tão áspera, como se ainda estivesse a ter leite nas mamas, tão forte. Quando o amigo do marido a viu tão bonita e gorda ficou logo com respeito por ela. E quando ela ficava a se envergonhar não sabia aonde havia de fitar os olhos. Ai que tristeza. Que é que se há de fazer. Sentada no bordo da cama, a pestanejar resignada. Que bem que se via a lua nessas noites de verão. Inclinou-se um pouquito, desinteressada, resignada. A lua. Que bem que se via. A lua alta e amarela a deslizar pelo céu, a coitadita. A deslizar, a deslizar... Alta, alta. A lua. Então a grosseria ex­plodiu-lhe em súbito amor: cadela, disse a rir.

Clarice Lispector

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Bom...Como hoje é o primeiro dia do ano, resolvi postar aqui a primeira crônica escrita por mim...Pra matar saudades!!

Olá pessoal/2015


Olá pessoal, bom dia/tarde/noite!

Bom, esse é o meu primeiro blog e espero continuar trabalhando nele (no mínimo) durante um ano. Estou muito feliz em poder compartilhar posts, resenhas, crônicas, contos, poesias, artigos... e muitas outras coisas legais que eu gosto de escrever com vocês.

Decidi começar a escrever no primeiro dia do ano porque tenho muitas expectativas para 2015, e o blog é um dos meus projetos para o ano. Espero ter tempo, criatividade e dedicação suficiente para agradar a todos os leitores. Sério mesmo, quero poder conversar com cada um de vocês, trocar experiências, ideias, sugestões... Afinal, esse não é um espaço meu, é um espaço nosso, um cantinho legal para desabafar, falar sobre coisas que curtimos, encontrar pessoas que curtem as mesmas coisas que nós etc.

Então sintam-se à vontade para comentar qualquer coisa, mandar e-mail para mim e conversar sobre o que quiser. Vamos tornar esse nosso espaço aconchegante, confortável. Aquele lugar que você pode desabafar quando estiver triste, contar novidades quando estiver alegre... Enfim, espero que gostem do blog e quero que saibam que podemos construí-lo juntos.

Um ótimo 2015, com muitas paz, saúde e realização de sonhos!!!

T. L. Flores